Patrão, prenda seu gado


Poema de Pixinguinha, Donga e João da Bahiana



Oh patrão,
oh patrão prenda seu gado.
Na lavra tem um ditado:
quem mata gado é jurado.

Missa de padre é latim.
Rapaz solteiro é letrado.
Eu vim preso da Bahia
porque era namorado.

Madama Diê, iáiá...
Samba iôiô,
samba iáiá
que o dia evem, doná.

Eu bem sei,
eu bem sei que fui culpado
de vir preso da Bahia
só por ter me namorado.
Vou tirar meu passaporte
e um camarote de proa.
Eu aqui não vou ficar,
vou-me embora pra Lisboa,
Senhorita vai ver, doná.

Ô Joana, ô Maria,
saruê pra que trabalha
no pescoço da cutia,
no pavilhão da atalaia.
Era hoje, era ontem, era donte,
era donte, era ontem, era hoje,
sinhazinha mandou me chamá,
corri quatro cantos,
balão de iaiá.



Fonte: "Acervo Digital Pixinguinha", 2023.
Originalmente publicado em: disco Victor 33.492-A, 1932.



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