Princesa amarela

Imagem de Augusto Frederico Schmidt

Poema de Augusto Frederico Schmidt


O metal de sua voz se aquece
Na tarde, fria lá fora, mas tépida
Pousada na sua pele, nos seus
Cabelos longos, nos seus pequenos pés.

Desce dos seus olhos um fio d'água
Que parece cantar mas é silencioso e manso,
E atravessa indolente o seu rosto,
Como o braço tênue e fino de um rio

Avança debruando uma paisagem triste.
Chama-se Ismênia e olha pelas vidraças o tempo
Que passa como a ave do outono nos céus

Garços, quase noturnos, onde palpitarão
Frescas, em breve, as primeiras estrelas,
Que as mãos da aurora desfolharão.



Fonte: "50 poemas escolhidos pelo autor", Cadernos de Cultura/ME, 1957.

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