O carroção de feno - Dora Ferreira da Silva
Poema de Dora Ferreira da Silva
Nenhuma estrela no céu
e poucas árvores na terra
esquecida a doce língua materna
(quem se lembra em mim?)
Taciturnos pensadores de queixo alteado
olham a ceifa do mundo
com advertências tardias e letras vencidas
dos senhores do dia.
dos senhores do dia.
Prosperam ratos. E a alegria?
Raptada ou foragida foi levada ou foi-se
por sonho
ou enfado.
Passa um carroção puxado a cavalos:
ontem? hoje? amanhã? quando?
O Poder passa decrépito escarrando
os últimos decretos
à rosa do amanhã.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Jardins", Edição da autora, 1979.
Fonte: "Poesia reunida", Topbooks Editora, 1999.
Originalmente publicado em: "Jardins", Edição da autora, 1979.
