Eros - Orides Fontela
Poema de Orides Fontela
Cego?
Não: livre.
Tão livre que não te importa
a direção da seta.
Alado? Irradiante.
Feridas multiplicadas
nascidas de um só
abismo.
Disseminas pólens e aromas.
És talvez a
primavera?
Supremamente livre
- violento -
não és estátua: és pureza
oferta.
Que forma te conteria?
Tuas setas armam
o mundo
enquanto - aberto - és abismo
inflamadamente vivo.
Fonte: "Poemas escolhidos", Nexus, 2021.
Originalmente publicado em: "Helianto", Editora Duas Cidades, 1973.
