Eros - Orides Fontela

Orides Fontela - poeta contemporânea do final do século XX

Poema de Orides Fontela


Cego?
Não: livre.
Tão livre que não te importa
a direção da seta.

Alado? Irradiante.
Feridas multiplicadas
nascidas de um só

                                 abismo.

Disseminas pólens e aromas.
És talvez a

                          primavera?

Supremamente livre
                 - violento -
não és estátua: és pureza
                                 oferta.

Que forma te conteria?
Tuas setas armam

                                 o mundo
enquanto - aberto - és abismo
            inflamadamente vivo.




Fonte: "Poemas escolhidos", Nexus, 2021.
Originalmente publicado em: "Helianto", Editora Duas Cidades, 1973.