Poema da humildade - Cecília Meireles
Poema de Cecília Meireles
Curvar-me até o chão,
E maternalmente velar
O imóvel dormir inocente
Das pedras...
Curvar-me até o chão,
E beijar as raízes obscuras
Das grandes árvores
Gloriosas...
E falar, às sementes,
Da grandeza de morrer,
Na treva silenciosa
Da terra,
Pelo milagre generoso
De posteriores reproduções...
Curvar-me até o chão,
Até a alma primitiva
Das coisas,
Até a alma primitiva
Dos seres...
Falar a tudo que anda de rastros,
A tudo que principia,
A tudo que desperta...
Curvar-me até o chão...
Descer!...
Curvar-me até o chão...
Mais abaixo do chão...
Muito abaixo do chão...
Fonte: "Poesia completa", Editora Nova Fronteira, 2001.
Originalmente publicado em: "Nunca mais e Poemas dos poemas", Livraria Leite Ribeiro, 1923.
Pelo milagre generoso
De posteriores reproduções...
Curvar-me até o chão,
Até a alma primitiva
Das coisas,
Até a alma primitiva
Dos seres...
Falar a tudo que anda de rastros,
A tudo que principia,
A tudo que desperta...
Curvar-me até o chão...
Descer!...
Curvar-me até o chão...
Mais abaixo do chão...
Muito abaixo do chão...
Fonte: "Poesia completa", Editora Nova Fronteira, 2001.
Originalmente publicado em: "Nunca mais e Poemas dos poemas", Livraria Leite Ribeiro, 1923.
