Poema de crroma
Allah, ó meu Allah,
o carnaval ardia de cal,
o asfalto amolecia.
Pele nenhuma escapava
- um esguicho de mangueira
aliviava a histórica temperatura!
Sol a pino, uma fornalha
distribuindo tonturas.
Por misericórdia, uma pausa!,
aproveitar-se a sombra da marquise.
Ai! que saudade
do íntimo refresco de uma gruta.
Impossível paralisar o bloco
batuqueiro pela rua
em horas tão viperinas.
Árvores faltavam.
Copinhos d'água
superfaturava a prefeitura.
Uma alegria
extravagante de quente.
Allah, ó meu Allah,
brincavam o carnaval
sem sequer considerar
amanhã o que virá...
(Da Folha de São Paulo: 'Fim do petróleo ou Carnaval em agosto')
