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Poema de Fernando Pessoa



Quando estou só, reconheço,
Se por momentos me esqueço,
Que existo entre outros que são
Como eu sós, salvo que estão
Alheados desde o começo.

E se sinto quanto estou
Verdadeiramente só,
Sinto-me livre mas triste.
Vou livre para onde vou,
Mas onde vou nada existe.

Creio contudo que a vida
Devidamente entendida
É toda assim, toda assim.
Por isso passo por mim
Como por coisa esquecida.



Fonte: 'Obra Poética', décima edição, Editora Nova Fronteira, 2001.

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