142. Estátuas


Poema de crroma



Ares-condicionados em pane por excesso de calor
fazem as repartições insalubres.
Calçadas estreitas se ofendem pela ausência de praças
e de arborizados refúgios.
Habitações não contemplam plantas.
Automóveis engarrafam o centro de espigas de concreto.
A sensação térmica das sombras excede dezenas.
As pessoas perduram como estátuas cegas,
                                                                 surdas,
                                                                     silentes.




(Do Diário do Litoral: 'Prioridades? Não tem ar-condicionado, não tem árvores, mas tem baile em Santos')