Desejo


Poema de Joaquim Norberto de Sousa Silva



Ardo, ó bela,
Num desejo
De te um beijo
Oferecer,
Mas receio
A cada instante
Louco amante
Te ofender.

Sim, receio...
Mas as faces
Mais vivaces
São na cor....
Oh que rosas
Tão perfeitas!
Que colheitas
Para amor!

E o receio
Se esvaece,
Que recresce
O desejar...
E a esperança
Que me alenta
Mais se aumenta
A me inspirar!...

Mas tu voltas
O semblante
Num instante
A me fugir;
Não me queres,
Não me atendes;
Só pretendes
Me afligir!

Vês a abelha
Que à roseira
Vai ligeira
Ósculo dar?
Ei-la toda
De ventura
E doçura
A se fartar.

Vês as aves
Que arrulhando
E beijando
Lá se estão?
Que doçura
Nessa estreita
Tão perfeita
União!

Vês a brisa
Sobre o lago
Com que afago
Se espraiou?
Oh nas águas
Que ventura,
Que frescura
Respirou!

Eu somente
Desgraçado,
Desprezado
Sou de amor!
Como é duro
Meu destino!
Que ferino
É teu rigor!



Fonte: "O livro de meus amores", B. L. Garnier, 1848.
Originalmente publicado em: "O livro de meus amores", B. L. Garnier, 1848.

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