crroma
O verde desistiu de ser
no interior de Chorrochó.
Os paus morreram todos.
Sobra um tabuleiro
de vegetação rala
e galhos petrificados
que não brotam flor.
As crianças do passado
conviviam com salseiros.
Tinha vivaz caatinga,
lagartos pelas sombras.
Agora dá um chuvisco
que logo do solo desprega,
estagnado o legume,
quanto o milho e feijão.
Em Chorrochó
altera-se o mundo.
Cresce a temperatura.
Apagaram-se as braúnas,
os umbuzeiros, as imburanas,
apagaram-se quixabeiras,
espécies de abelhinhas
não encontram-se várias.
Teima o mandacaru
em castos fragmentos.
Mas também ameaçado
de desaparecer como os bichos,
as plantas pujantes, os cultivos,
como desaparecem as gentes
porque não se há de ficar.
Famílias padecem de árido
que progride pior,
que insípido mina
o persistir sertanejo
- catingueiros sem esperança
no horizonte seco.
(Da Folha de São Paulo: 'Famílias da primeira região árida do Brasil sofrem com seca agravada por mudança climática')
