62. Tranquila


Poema de crroma



Epidemias falta d'água
insegurança alimentar
inundações extinção
de espécies e de nós
mas a consciência tranquila.

A beira do colapso o rumo do abismo
iminente hecatombe.

Fuga para um lugar com nascente só sua
Os filhos que não se teve, poupados
do calor da fome uma nova doença.

Tudo se fez e sacrifício
mundos fundos contra o apocalipse
a sacola reutilizável a aversão ao plástico
o banho de cinco minutos
as roupas de segunda mão
papelões para centros de coleta
lâmpadas led água da chuva nas privadas
comer as sobras da refeição
para evitar desperdício.

A catástrofe, destino certeiro
apesar de nossa luta pelo consumo
mas a consciência tranquila
límpida
tranquilíssima.




(Da Folha de São Paulo: 'Fizemos de tudo para impedir a crise climática')