Aos principais da Bahia chamados caramurus
Poema de Gregório de Matos
Há coisa como ver um Paiaiá,
Mui prezado de ser Caramuru,
Descendente de sangue de Tatu,
Cujo torpe idioma é Cobé pá.
A linha feminina é carimá,
Moqueca, pititinga, caruru,
Mingau de puba e vinho de caju,
Pisado num pilão de Piraguá.
A masculina é um Aricobé,
Cuja filha Cobé, um branco Paí
Dormiu no promontório de Passé.
O branco era um marau que veio aqui,
Ela era uma índia de Maré:
Cobé pá, Aricobé, Cobé Paí.
Fonte: "Obra Poética", Editora Record, 1992.
Originalmente publicado em códices da segunda metade do século XVII.