Poema de crroma
Fim de agosto, as baratas continuam.
Aparecem em residências.
Suas compridas antenas
como milhares de narizes à procura.
Nas fendas sem luzes
ou pelos armários,
encontram os maiores atrativos.
Suntuosas, em Lisboa,
as baratas voadoras.
Frequentam logradouros
durante verões ampliados.
Rápidas se multiplicam.
Dispara-se inseticida.
Mas as baratas se escudam
em resistência pacífica.
Por que tanta intolerância?
Construíram-se cidades
boas para pessoas
quanto a baratas boas.
(De TimeOut Portugal: 'Há cada vez mais baratas em Lisboa. Estamos condenados a viver com elas?')
