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Poema de Hilda Hilst



Teu rosto se faz tarde
Sob a minha mão.
E envelheço terna
Dividida e austera
Um mergulho de luz
Metade treva.

Pincéis de fino pêlo
Desenhando emoções.
Teu rosto se faz noite
Niquelado traço
Anil e ouro baço
Sob a minha mão.

E jardins de gelo
E muralhas-espelho
E papéis guardados
Castos de desejo.

Teu rosto.
Uma tintura de fogo
Na planície dos dedos




Fonte: "Da Poesia", Editora Companhia das Letras, 2017.
Originalmente publicado em: "Cantares de Perda e Predileção", Massao Ohno Editor, 1983.

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