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Poema de Gregório de Matos



Ai, Custódia! sonhei, não sei se o diga:
Sonhei que entre meus braços vos gozava.
Oh se verdade fosse o que sonhava!
Mas não permite Amor que eu tal consiga.

O que anda no cuidado e dá fadiga,
Entre sonhos Amor representava
No teatro da noite, que apartava
A alma dos sentidos, doce liga.

Acordei eu e, feito sentinela,
De toda a cama pus-me uma peçonha,
Vendo-me só sem vós e em tal mazela.

E disse, porque o caso me envergonha,
Trabalho tem quem ama e se desvela,
E muito mais quem dorme e em falso sonha.



Fonte: "Obra Poética", Editora Record, 1992.
Originalmente publicado em códices da segunda metade do século XVII.

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