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Poema de Fernando Pessoa



Pela rua já serena
Vai a noite.
Não sei de que tenho pena,
Nem se é pena isto que tenho...

Pobres dos que vão sentindo
Sem saber do coração!
Ao longe, cantando e rindo,
Um grupo vai sem razão...

E a noite e aquela alegria
E o que medito a sonhar
Formam uma alma vazia
Que paira na orla do ar...



Fonte: 'Obra Poética', décima edição, Editora Nova Fronteira, 2001.

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