Ao dia do juízo

Imagem de Gregório de Matos

Poema de Gregório de Matos



O alegre do dia entristecido,
O silêncio da noite perturbado,
O resplandor do sol todo eclipsado
E o luzente da lua desmentido!

Rompa todo o criado em um gemido,
Que é de ti mundo? onde tens parado?
Se tudo neste instante está acabado,
Tanto importa o não ser como haver sido.

Soa a trombeta da maior altura,
A que a vivos e mortos traz o aviso
Da desventura de uns, d'outros ventura.

Acabe o mundo porque é já preciso,
Erga-se o morto, deixe a sepultura,
Porque é chegado o dia do juízo. 



Fonte: "Obra Poética", Editora Record, 1992.
Originalmente publicado em códices da segunda metade do século XVII.

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