Amada vem

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Poema de Jorge de Lima



Amada, deixei a porta aberta para vires.
Plantei árvores longas para te dar sombra.
Apressa-te querida minha,
Fechei os olhos para esperar-te.
Só os abrirei quando chegares,
ó perfeitíssima entre as mulheres.
Fecharei depois a minha porta
para o silêncio de Deus nos envolver.
Amada rninha traze a eternidade para nós.
Traze a estrela que me prometeste.
Traze tuas sobrancelhas como asas.
Perdi o paraíso não t'o posso dar.
Dar-te-ei o sonho em que te geraste:
o começo das águas em que te vi flutuando.
Vem como estás, vem molhada das fontes.
Vem como estás, recoberta de folhas.
Vem do meu barro amada minha, vem.
Vem virgem através do tempo, vem.
Vem louca através da ordem, vem.
Vem cantando através da dor, vem.
Vem com o primeiro pecado, vem.

Vem que tu foste gerada para mim.
A porta está aberta, amada vem.



Fonte: "Obra Poética", Editora Getulio Costa, 1949.
Originalmente publicado em: "Tempo e eternidade", 1935.

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