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Imagem de Ana Cristina Cesar

Poema de Ana Cristina César



Noite de Natal.
Estou bonita que é um desperdício.
Não sinto nada
Não sinto nada, mamãe
Esqueci
Menti de dia
Antigamente eu sabia escrever
Hoje beijo os pacientes na entrada e na saída
com desvelo técnico.
Freud e eu brigamos muito.
Irene no céu desmente: deixou de
trepar aos 45 anos
Entretanto sou moça
estreando um bico fino que anda feio,
pisa mais que deve,
me leva indesejável pra perto das
botas pretas
pudera



Fonte: "Poética", editora Companhia das Letras, 2013.
Originalmente publicado em: "Cenas de Abril", Cia Brasileira de Artes Gráficas, 1979.

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