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Poema de Hilda Hilst



Ah, se eu soubesse quem sou.
Se outro fosse o meu rosto.
Se minha vida-magia
Fosse a vida que seria
Vida melhor noutro rosto.

Ah, como eu queria cantar
De novo, como se nunca tivesse
De parar. Como se o sopro
Só soubesse de si mesmo
Através da tua boca.

Como se a vida só entendesse
O viver
Morando no teu corpo, e a morte
Só em mim se fizesse morrer.



Fonte: "Da Poesia", Editora Companhia das Letras, 2017.
Originalmente publicado em: "Júbilo, memória, noviciado da paixão," Massao Ohno, 1974.

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