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Poema de Hilda Hilst



As laranjas têm alma?
Tu me perguntas calmo
A testa no fruto.
Examinas. Desenrolas
A casca, o amarelo
Escorre palpitante
O sumo sobre a mesa.
Proeza da tua fome.

Tu ainda me amas?
Eu te pergunto lívida
Na manhã de tintas
Amarelo e ocre
Pulsando no meu sangue.
E te levantas, me olhas
E te fazes cansado
De perguntas antigas.



Fonte: "Da Poesia", Editora Companhia das Letras, 2017.
Originalmente publicado em: "Júbilo, memória, noviciado da paixão," Massao Ohno, 1974.

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