Mapa falso


Poema de Cecília Meireles



Quantas coisas pensei sublimes,
merecedoras de longas lágrimas!
Quais eram?
As lágrimas recordo
e as pensativas planícies
por onde estenderam seus longos rios.

Mas não levam nenhuma voz essas águas.
Tudo foi afogado e sepulto.

Maiores que as coisas choradas
eram as lágrimas que as choravam.

E sua imagem, de longe, é uma solidão sem mais nenhum sentido:
mapa falso que a nossa viagem abandona,
pois vamos sempre além de tudo, para mais longe.



Fonte: "Antologia Poética", Editora do Autor, terceira edição, 1966.
Originalmente publicado em: "Antologia Poética", 1963.



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