Canavial


Poema de Cecília Meireles



Cinza.
Branco.
São as moles espadas de zinco
do canavial.

Pardo.
Cinza.
São as rodas dos carros cansados
do canavial.

Preto.
Pardo.
São as perninhas finas das crianças
no canavial.

Cinza.
Branco.
São as canas, as canas cortadas
no canavial.

Pardo.
Preto.
É o caminho que vamos pisando
no canavial.

Preto.
Cinza.
É a poesia do vento fugindo
do canavial.

Pardo.
Pardo.
São os moldes do açúcar já pronto
no canavial.

Branco.
Branco.
É a risada festiva das crianças
no canavial.



Fonte: "Antologia Poética", Editora do Autor, terceira edição, 1966.
Originalmente publicado em: "Poemas escritos na Índia", 1961.

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