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Poema de Hilda Hilst



Sendo tu amor, irmão, comigo te pareces.
Em ti me desendento e contigo me aplaco.
Esta larga vertente se parece à água
Do teu amor em mim, onde um dia feneço
Porque também fenece a flor apaziguada
Essa que não nasceu para ter alimento
Antes para morrer do amor desmemoriada.
E se tudo me dás, num sopro eu anoiteço.
Eu sempre serei terra. E tomando a semente
Tomo para mim uma tarefa inteira:
A de guardar um tempo, o todo que recebe
E livrá-lo depois de um jogo permanente.
Outros te guardarão. Não eu que só pretendo
Libertar na alegria o coração e a mente.



Fonte: "Da Poesia", Editora Companhia das Letras, 2017.
Originalmente publicado em: "Poesias", Livraria Sal, 1967.

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