A voz do coqueiral

Imagem de João Cabral de Melo Neto

Poema de João Cabral de Melo Neto



O coqueiral tem seu idioma:
não o de lâmina, é voz redonda:

é em curvas sua reza longa,
decerto aprendida das ondas,

cujo sotaque é o da sua fala,
côncava, curva, abaulada:

dicção do mar com que convive
na vida alísia do Recife.



Fonte: "A educação pela pedra e depois", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "A escola das facas", 1980.

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