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Poema de Hilda Hilst



O ouro do mais fundo está em ti.
Em mim, as coisas breves tomam corpo
E uma saga de bronze no meu ombro
A cada dia se transforma em chaga.
Um sol que se contrai sobre o meu rosto.
Aves de que não sei a sombra, vi-as
Na manhã quando o amor era chama
Mas num sopro perdi-as
E é grande agonia o que era gozo.
Guia-me em complacência. Que o instante
Não se afaste de mim, antes padeça
Desse meu existir e eu não me perca.



Fonte: "Da Poesia", Editora Companhia das Letras, 2017.
Originalmente publicado em: "Poesias", Livraria Sal, 1967.

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