Na pia

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Poema de crroma



Uma xícara suja na pia,
com marca de batom.
Depois dos degraus,
a porta abria-se à noite
frígida de primavera.

Os calculados automóveis,
os pedestres debaixo
de entediantes postes,
as coisas investidas no presente,
em transmitir sinais,
expelir cheiros urbanos.

Cotidiana película aniquilada
por um homem
que fechou-me em algemas.
Transportou-me a terrores
seguidos do inescapável encontro.

Oh irmãs no medo, 
usurpada de humanidade,
eu comovidamente pensava
no objeto dentro da pia,
uma xícara suja,
marcada de batom.