Poema 02 de 10/21
Poema de crroma
Há manhãs
em que a vontade colapsa.
O corpo recusa
o despertar irrevogável.
Um vácuo entorpece
o propósito de seguir
- para onde?
A mente se cristaliza
em quartzo transparente.
Pelos ouvidos
um relógio velho bate
horas ímpares.
Há dias letárgicos,
que abençoam ser nada,
ser coisa nenhuma,
não ser.
Repudia-se
a insistência do momento
em reproduzir o teatro humano
com rostos despidos em planilhas,
com compromissos
entre quadrados, com o mecânico
trânsito de elevadores.
Dias que pendem,
em que quase se asfixia
e, ainda assim,
deita-se em plumas.
