pelé

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Poema de crroma



Um menino preto,
de pobreza comum, periférico,
escapou ao destino de mínguas
por arte dos pés e de uma esfera.

O futebol universalizou-o.
O menino perdeu o próprio nome,
abstraiu-se, virou pelé -
um conceito de gente,
de drible, de passe no vazio,
do jogo bonito.

pelé, o criador de lépidas excepcionalidades,
o condutor de expectativas no gramado
verde e marcado de cal,
preto ídolo brasileiro e do mundo.

Uma abstração que se subtraiu ao tempo.
Identificava a ele e aos demais,
os que eram e os que
haviam de ser.
pelé era Édson,
foi Puskas, Di Stefano.
Eusébio transformou-se em pelé,
que era Beckenbauer e Charlton,
Cruyff, Iniesta, Zidane.
Maradona foi pelé, Ronaldo foi pelé,
e ainda o é Mbappé,
Cristiano, Messi.

E sendo assim
fez-se pelé imperfeito,
escravo de um gênero só.
De olhos fechados, ele aguarda
humildemente até
encontrar a plenitude indiscriminatória dos corpos,

porque Marta é pelé,
e o são Pia, Kelly, Homare,
Nadine, Mia, Sue Wen
e todas elas, e eles todos,
e qualquer uma criança que,
com a bola nos pés,
sonha.

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