Poema de crroma
Comum menino pobre,
periférico,
escapou ao destino de mínguas
por arte de uma esfera.
O futebol universalizou-o.
O menino perdeu o nome próprio,
abstraiu-se em pelé -
mescla de gente com drible,
de passe com jogo bonito.
pelé de lépida atipicidade,
sobre a verde grama marcada de cal
um regente de expectativas,
ídolo brasileiro global.
Abstração que escapuliu ao tempo:
pelé era Édson
e qualquer outro
em todo presente,
passado ou futuro momento,
que do físico esforço extraísse o belo.
Mas tão imperfeito porque
ainda domínio do homem,
porque operário de um feudo
porque operário de um feudo
fecundo de defeitos.
Humilde, pelé aguarda
calçarem as chuteiras
o término dos enganos,
o feminino enfim autônomo,
ou os pés de uma criança
que diante de uma bola
sonha.
