Água-cor - Carlos Drummond de Andrade

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Carlos Drummond de Andrade


O País da Cor é líquido e revela-se
na anilina dos vasos de farmácia.
Basta olhar, e flutuo sobre o verde
não o verde-mata, o verde-além-do-verde.

E o azul é uma enseada na redoma.
Quisera nascer lá, estou nascendo.
Varo a laguna de ouro do amarelo.
A cor é o existente; o mais, falácia.




Fonte: "Antologia Poética", Editora Record, 2001.
Originalmente publicado em: "Boitempo e A falta que ama", Editora Sabiá, 1968.