A madrugada suspensa

Imagem de Adélia Prado

Poema de Adélia Prado



A fria estação recobre a terra
com a pele dos sonhos.
Insinuado apenas, tudo se equivale
na maciez cinzenta.
Nada é voraz.
A nevoenta cortina trata a luz com brandura,
quanto mais baça, tanto mais eterno
o halo reflexo no vapor suspenso.
Sorvo encolhida a gélida beleza,
meu respirar transvaza convertido,
ele também, em pura e só neblina.



Fonte: "Poesia Reunida", Editora Record, 2015.
Originalmente publicado em: "A duração do dia", Editora Record, 2010.


Nenhum comentário:

Tecnologia do Blogger.