O jornal paulista

Imagem de crroma

Poema de crroma



O dono do jornal masca chicletes.
A pedradas de estilingue
ele mata um passarinho.

O diretor de redação
desce sem freios
a ladeira de bicicleta.
No muro da oficina,
rabisca um palavrão feio.

O conselheiro editorial
fustiga o nariz com o dedo.
Tem os pés sujos de terra.

O editor da seção
tropica na calçada,
rala os dois joelhos.

Ele prende um gato no saco,
joga o saco no rio.
Afundando, o gato
mia caetano.

A tarde miscigena
o tédio com a letargia,
até que, da porta
dos fundos das casas,
chamam em cor as empregadas
para jantar.

No fim da rua,
as máquinas incessantes
consumem papéis em bobinas,
bebem baldes de tinta
na impressão do jornal.

Trabalham à sombra
de uma árida estátua.
Cuja face encobre-se
por uma máscara
que na pedra sorri.