VII - João Cabral de Melo Neto
Poema de João Cabral de Melo Neto
É mineral o papel
onde escrever
o verso; o verso
que é possível não fazer.
São minerais
as flores e as plantas,
as frutas, os bichos
quando em estado de palavra.
É mineral
a linha do horizonte,
nossos nomes, essas coisas
feitas de palavras.
É mineral, por fim,
qualquer livro:
que é mineral a palavra
escrita, a fria natureza
da palavra escrita.
Fonte: "Serial e antes", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Psicologia da composição", 1947.
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