II - João Cabral de Melo Neto

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Poema de João Cabral de Melo Neto



Esta folha branca
me proscreve o sonho,
me incita ao verso
nítido e preciso.

Eu me refugio
nesta praia pura
onde nada existe
em que a noite pouse.

Como não há noite
cessa toda fonte;
como não há fonte
cessa toda fuga;

como não há fuga
nada lembra o fluir
de meu tempo, ao vento
que nele sopra o tempo.




Fonte: "Serial e antes", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Psicologia da composição", 1947.
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