Hospital de La Caridad - João Cabral de Melo Neto

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Poema de João Cabral de Melo Neto



Conjugam um só tempo de verbo
no indicativo presente: "Espero".

Ali esperam incuráveis e velhos,
que venha o objeto direto,

a esta sala de espera tão densa,
sem mais programas, sem agendas.

Juan de Mañara que o instalou
fez-se o Grande Torturador.

No ar formigueiro de Sevilha,
criou essa sala de visitas,

essa glorieta, tão diferente
das outras em que preguiça a gente.

Nela se espera uma só, a Visita,
que é certa, mas sem data fixa.

A espera é densa que se a apalparia,
muda, de quem faz pontaria.

Só que tenso não está quem atira,
estão os alvos que estão sob a mira.




Fonte: "A educação pela pedra e depois", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Sevilha andando", Editora Nova Fronteira, 1989.