Despertar com sevilhana - João Cabral de Melo Neto

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Poema de João Cabral de Melo Neto



Toda a gente tem um sol
ácido pelas janelas,
tenham persianas, cortinas,
ele se infiltra apesar delas.

Ele tem sol mais solar
que também fere a retina
mas é doce como a noite
de onde como que não vinha.

É um sol negro que o acorda
sem ferir, como às avessas,
mas é sol, cada manhã,
e tem dele a cabeleira.




Fonte: "A educação pela pedra e depois", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "Sevilha andando", Editora Nova Fronteira, 1989.