A uma plateia - Casimiro de Abreu
Poema de Casimiro de Abreu
O cedro foi planta um dia,
Viço e força o arbusto cria,
Da vergôntea nasce o galho;
E a flor pra ter mais vida,
Para ser - rosa querida -
Carece as gotas de orvalho.
Com o talento é o mesmo:
Quando tímido ele adeja,
- Qual ave que se espaneja -
Como a flor, também precisa
Em vez do sopro da brisa
O sopro da simpatia
Que lhe adoce os amargores,
Para em horas de cansaço
Na estrada que vai trilhando
Encontrar de quando em quando
Por entre os espinhos - flores.
E vós que acabais de ouvi-lo
A suspirar nesse trilo
No seu gorjeio primeiro;
Vós, que viste o seu começo,
Dai-lhe essas palmas de apreço
Que é artista e... brasileiro!
Fonte: "Obras Completas", B L Garnier, 1887.
Originalmente publicado em: "Primaveras", 1858.
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