A paisagem zero - João Cabral de Melo Neto
Poema de João Cabral de Melo Neto
A luz de três sóis
ilumina as três luas
girando sobre a terra
varrida de defuntos.
Varrida de defuntos
mas pesada de morte:
como a água parada,
a fruta madura.
Morte a nosso uso
aplicadamente sofrida
na luz desses sóis
(frios sóis de cego);
nas luas de borracha
pintadas de branco e preto;
nos três eclipses
condenando o muro;
no duro tempo mineral
que afugentou as floras.
E morte ainda no objeto
(sem história, substância,
sem nome ou lembrança)
abismando a paisagem,
janela aberta sobre
mas pesada de morte:
como a água parada,
a fruta madura.
Morte a nosso uso
aplicadamente sofrida
na luz desses sóis
(frios sóis de cego);
nas luas de borracha
pintadas de branco e preto;
nos três eclipses
condenando o muro;
no duro tempo mineral
que afugentou as floras.
E morte ainda no objeto
(sem história, substância,
sem nome ou lembrança)
abismando a paisagem,
janela aberta sobre
o sonho dos mortos.
Fonte: "Serial e antes", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "O Engenheiro", 1945.
Veja a biografia, lista de poemas e artigos sobre João Cabral de Melo Neto.
Fonte: "Serial e antes", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "O Engenheiro", 1945.
Veja a biografia, lista de poemas e artigos sobre João Cabral de Melo Neto.
