O lenço dela - Álvares de Azevedo

Álvares de Azevedo, poeta do Romantismo brasileiro

Poema de Álvares de Azevedo



Quando, a primeira vez, da minha terra
Deixei as noites de amoroso encanto,
A minha doce amante suspirando
Volveu-me os olhos úmidos de pranto.

Um romance cantou de despedida,
Mas a saudade amortecia o canto!
Lágrimas enxugou nos olhos belos...
E deu-me o lenço que molhava o pranto.

Quantos anos, contudo, já passaram!
Não olvido porém amor tão santo!
Guardo ainda num cofre perfumado
O lenço dela que molhava o pranto...

Nunca mais a encontrei na minha vida,
Eu contudo, meu Deus, amava-a tanto!
Oh! quando eu morra estendam no meu rosto
O lenço que eu banhei também de pranto!




Fonte: "Lira dos Vinte Anos", Editora Martins Fontes, 1996.
Originalmente publicado em: "Lira dos Vinte Anos", 1853.
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