À lamentável morte de D. Julia Fetal - Adélia Fonseca

Adélia Fonseca, poeta da transição do Romantismo

Poema de Adélia Fonseca



Estavas, bela Júlia, descansada,
Na flor da juventude e formosura,
Desfrutando as carícias e a ternura
Da mãe, que por ti era idolatrada.

A dita de por todos ser amada
Gozavas, sem prever tu’ alma pura
Que, por mesquinho fado, à sepultura
Brevemente serias transportada.

Mas ah! De um insensato, a destra forte
Dispara sobre ti, Júlia querida,
O fatal tiro que te deu a morte!…

Dos olhos foi-te a luz amortecida,
E do rosto apagou-se, iníqua sorte,
A branca e viva cor co’a doce vida.




Fonte: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
Originalmente publicado em: "Ecos da Minh'alma", Tipografia Camillo de Lellis Masson, 1866.
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