crroma
Pegadas de veados
caçados por onças-pintadas
marcam o chão arenoso.
Pegadas de antas,
cachorros-do-mato
criam uma forma de escrita
faunapaisagística
pela Serra do Amolar.
Nos baixios o Cerrado
de manduvis, de ipês,
permeado por cambarás
e plantas amazônicas.
Sobem os morros as figueiras,
os jacarandás da floresta
Atlântica verde-escura.
Param antes dos cumes,
que de novo Cerrado ocupa.
Microcosmo onde habitam
jaguarundis, lobos-guarás,
tamanduás, ariranhas, cutias
e os raros tatus-canastra
que se banham acalorados,
em piscinas naturais.
Também palpitam palmeiras
pantaneiras como bocaiúvas,
acuris, carandás.
Montanhas se alteiam mil metros,
com vales em que os bichos
escondem-se de tiros ou queimaduras.
E têm centenas de vozes,
têm cantares, coaxares,
têm, nas águas, mensagem dos peixes
que se devia escutar no almoço,
ao abrir os portões das escolas,
entre as roupas que os cabides
impedem amarrotar.
Porém nada escuta-se.
Um tuiuiú, no sopé da Serra,
cobre de asas o ninho.
Protege o filhote do ardor,
do vento forte,
leva água no bico e o molha,
leva comida.
Sobrevivem.
(Do O Globo: 'Onde a natureza resiste: rodeado pelo fogo, santuário na Serra do Amolar, no Pantanal, usa IA como aliada da preservação')
