Rústica

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Poema de Francisca Júlia



Da casinha, em que vive, o reboco alvacento
reflete o ribeirão na água clara e sonora.
Este é o ninho feliz e obscuro em que ela mora;
além, o seu quintal, este, o seu aposento.

Vem do campo, a correr; e úmida do relento,
toda ela, fresca do ar, tanto aroma evapora,
que parece trazer consigo, lá de fora,
na desordem da roupa e do cabelo, o vento...

e senta-se. Compõe-se as roupas. Olha em torno
com seus olhos azuis onde a inocência boia;
nessa meia penumbra e nesse ambiente morno,

pegando da costura à luz da claraboia,
põe na ponta do dedo em feitio de adorno,
o seu lindo dedal com pretensão de joia.



Fonte: "Poesia reunida de Francisca Júlia", escamandro, 2015.
Originalmente publicado em: "Esfinges", Monteiro Lobato Editor, 1920.


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