Soneto


Poema de Álvares de Azevedo



Um mancebo no jogo se descora,
Outro bêbado passa noite e dia,
Um tolo pela valsa viveria,
Um passeia a cavalo, outro namora.

Um outro que uma sina má devora
Faz das vidas alheias zombaria,
Outro toma rapé, um outro espia....
Quantos moços perdidos vejo agora!

Oh! não proíbam pois ao meu retiro
Do pensamento ao merencório luto
A fumaça gentil por que suspiro.

N’uma fumaça o canto d'alma escuto...
Um aroma balsâmico respiro,
Oh! deixai-me fumar o meu charuto! 



Fonte: "Poema irônicos, venenosos e sarcásticos", Fundação Biblioteca Nacional, 2002.
Originalmente publicado em: "Poema irônicos, venenosos e sarcásticos", 1853.

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