O adeus de Tereza

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Poema de Castro Alves



A vez primeira que eu fitei Tereza,
Como as plantas que arrasta a correnteza,
A valsa nos levou nos giros seus...
E amamos juntos... E depois na sala
"Adeus" eu disse-lhe a tremer co'a fala...

E ela, corando, murmurou-me: " adeus."

Uma noite... entreabriu-se um reposteiro...
E da alcova saia um cavalheiro
Inda beijando uma mulher sem véus...
Era eu... Era a pálida Tereza!
"Adeus" lhe disse conservando-a presa...

E ela entre beijos murmurou-me: "adeus."

Passaram tempos... seculos de delírio
Prazeres divinais... gozos do Empírio...
... Mas um dia volvi ao lares meus.
Partindo eu disse - "Voltarei!... descansa!..."
Ela, chorando mais que uma criança,

Ela em soluços murmurou-me: "adeus." 

Quando voltei... era o palácio em festa!...
E a voz d'ela e de um homem lá na orquestra
Preenchiam de amor o azul dos céus.
Entrei!... Ela me olhou branca... surpresa!
Foi a ultima vez que eu vi Tereza!...

E ela arquejando murmurou-me: "adeus!"



Fonte: "Obras completas", Livraria Francisco Alves, 1921.
Originalmente publicado em: "Espumas flutuantes", Camillo de Lellis Masson & C., 1870.

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