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Poema de Fernando Pessoa



Quero dos deuses só que me não lembrem.
Serei livre - sem dita nem desdita.
Como o vento que é a vida
Do ar que não é nada.
O ódio e o amor iguais nos buscam; ambos,
Cada um com seu modo, nos oprimem.
               A quem deuses concedem
               Nada, tem liberdade.

Aos deuses peço só que me concedam
O nada lhes pedir. A dita é um jugo
               E o ser feliz oprime
Porque é um certo estado.
Não quieto nem inquieto meu ser calmo
Quero erguer alto acima de onde os homens
               Têm prazer ou dores.



Fonte: 'Obra Poética', décima edição, Editora Nova Fronteira, 2001.

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