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Poema de Fernando Pessoa



Não consentem os deuses mais que a vida.
Tudo pois refusemos, que nos alce
                 A irrespiráveis píncaros,
                 Perenes sem ter flores.
Só de aceitar tenhamos a ciência,
E, enquanto bate o sangue em nossas fontes,
                 Nem se engelha conosco
                 o mesmo amor, duremos,
Como vidros, às luzes transparentes
E deixando escorrer a chuva triste,
                 Só mornos ao sol quente,
                 E refletindo um pouco.



Fonte: 'Obra Poética', décima edição, Editora Nova Fronteira, 2001.


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