O fim do mundo - João Cabral de Melo Neto

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Poema de João Cabral de Melo Neto



No fim de um mundo melancólico
os homens leem jornais.
Homens indiferentes a comer laranjas
que ardem como o sol.

Me deram uma maçã para lembrar
a morte. Sei que cidades telegrafam
pedindo querosene. O véu que olhei voar
caiu no deserto.

O poema final ninguém escreverá
desse mundo particular de doze horas.
Em vez de juízo final a mim me preocupa
o sonho final.




Fonte: "Serial e antes", Editora Nova Fronteira, 1997.
Originalmente publicado em: "O Engenheiro", 1945.