Bacanal

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Poema de Manuel Bandeira



Quero beber! cantar asneiras
No esto brutal das bebedeiras
Que tudo emborca e faz em caco...
                         Evoé Baco!

Lá se me parte a alma levada
No torvelim da mascarada,
A gargalhar em doudo assomo...
                         Evoé Momo!

Lacem-na toda, multicores,
As serpentinas dos amores,
Cobras de lívidos venenos...
                         Evoé Vênus!

Se perguntarem: Que mais queres,
Além de versos e mulheres?...
- Vinhos!... o vinho que é o meu fraco!...
                         Evoé Baco!

O alfange rútilo da lua,
Por degolar a nuca nua
Que me alucina e que eu não domo!...
                         Evoé Momo!

A Lira etérea, a grande Lira!...
Por que eu extático desfira
Em seu louvor versos obscenos,
                         Evoé Vênus!



Fonte: "Antologia Poética", Editora Nova Fronteira, 2001.
Originalmente publicado em: "Carnaval", 1919.

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