Emílio Moura
Só restam palavras
que nada nos dizem.
Já mudas, se gravam
diante do horizonte,
também mudo.
Só restam lembranças.
Mas ninguém decifra
Seu código. Nada
vibra no que trazem
e se faz cinza.
Só restam remorsos.
Mas, de quê, de quando,
se o último grito
já morreu no tempo,
também morto?
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Itinerário poético", 1969.
