Emílio Moura
Porque a tarde descera e tão obscuro
tudo ficara - olhar, gestos, palavras,
novos signos no ar foram surgindo,
e eram todos sem vida, sem sentido.
Que apelo sem limites me prendiam,
que perdidas memórias me buscavam?
Vi-me, de novo, têmulo, no pórtico
do sonho: o sonho era algo que eu não via.
Que áureo roteiro aquele atrás da névoa?
Que vozes me falavam? Que falavam,
se era tudo, mas tudo inexistente?
Súbita sombra no alto se formava.
Era a noite? Era a morte? Eu não sabia.
Sei que a voz do outro lado me chamava.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Itinerário poético", 1969.
Fonte: "Itinerário poético", Editora UFMG, 2002.
Originalmente publicado em: "Itinerário poético", 1969.
